CASA MAMÃE MARGARIDA

Para ler os depoimentos basta clicar nos links abaixo.

[ A.S. ]
[ A.V.S. ]
[ G.F. ]
[ H.P.M. ]
[ J.L. ]
[ L. ]
[ M.R.L. ]
[ M.V.S. ]
[ N.P.S. ]
[ R. ] [ A. ] [ S. ] [ S.N ]          

A.S.

Começo esta contando a minha história. Eu me chamo (A.S. e tenho mais duas irmãs, uma se chama Maria e a outra Joana. Eu com 12 anos de idade perdi minha mãe, pois esta era mulher de programa. Vendia o seu corpo para sustentar eu e minhas irmãs.

A vida que ela levava não era boa, nem para ela e nem para nós, pois com isso, ela tinha que se ausentar sempre e a gente nunca tinha uma mãe de verdade conosco mas, fazer o quê? O nosso pai abandonou nós, e ela só achou essa saída, talvez por fraqueza. Eu sou a mais velha.

Quando ela se ausentou uma vez, tendo que viajar para ganhar a vida em outro lugar, ela achava que dessa vez tudo ia dar certo, que a gente ia melhorar de vida, mas... foi só ilusão. No dia 08 de abril de 1990, minha mãe teve que fazer uma viagem para Presidente Figueiredo.

Foi, mas, não voltou viva. Pois lá, teve um problema com um "cara", que saiu com ela para fazer um programa e ele a matou brutalmente e assim, acabou com nossos sonhos de um dia viver uma vida melhor, pois a vida que ela vivia, não desejo nem para o meu pior inimigo.

No dia 11 de Abril de 1990, a notícia não era aquela que a gente esperava. Estávamos em casa quando chegou o carro do I.M.L (Instituto Médico Legal), trazendo o corpo de minha mãe. Chegou um rapaz e bateu na poda perguntando: - "Aqui que mora Maria das Graças". Meu avô, veio e disse:

- Sim, mas ela esta viajando. Então o rapaz do I.M.L conversou com o meu avô e contou que ela estava dentro do carro morta. Foi um choque para nós.

Meu tio foi, abriu e viu se era o corpo dela, e assim logo confirmamos. Um dia minha mãe tinha que morrer, mais não daquele jeito... vi ela sair viva com um sorriso no rosto e voltar nua, toda batida com o pescoço quebrado. Nós sem podermos fazer nada, pois o assassino já tinha fugido.

Quem fez isso fez bem feito, pois mandou entregar o corpo dela em casa, mas eu entrego para Deus, só ele pode nos consolar...

Um dia minha mãe conversou com a Irmã Justina e nos entregou a ela se caso um dia acontecesse algo com ela.

Sabendo do ocorrido, a Irmã Liliana e a Irmã Justina foram em nossa casa convidar-nos a ir participar da Obra e, com isso nos ajudar a levar uma vida melhor, como sempre a gente quis.

Eu e a minhas irmãs fomos morar lá, eu tinha 12 anos, a outra 9 e a outra 8. Estudamos lá, tínhamos uma vida decente.

Graças a Deus elas nos ajudou para que nós não fôssemos ser "mulher de programa" também. Foi uma benção de Deus para nós termos ido para a Casa Mamãe Margarida. Hoje tenho 20 anos, Maria tem 17 e Joana 16 anos.

Eu namorei um rapaz e com ele vivo e já tenho um filho que se chama Lucas e tem um ano e oito meses.

Eu e esse rapaz que vivo com ele, moramos em uma casa pequena numa área de alagação em uma invasão, quando chove, alaga tudo, mas fazer o quê?... não temos outra saída. Nessa casa mora eu, Joana, Maria e o meu filho que não é uma criança sadia, sempre adoece, pois quando alaga, vem tudo o que não presta, como cachorro podre e outras coisas mais que nos faz mal a saúde.

Vamos levando a vida. Eu já tenho marido, mesmo assim, as Irmãs me ajudam no que elas podem, meu marido trabalha, mas ganha pouco, só dar para comer e sem luxo. As irmãs ajudam não só eu como minhas irmãs também.

CASA MAMÃE MARGARIDA
- Casa Mamãe Margarida 2005 - Todos os direitos reservados -